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OESP- Domingo, 16 de Outubro de 2005.

Software põe a ficha do paciente no celular do médico 
Para que dados da consulta por telefone não se percam, programa permite ao doutor incorporar a nova orientação ao prontuário.

Ricardo Westin


As consultas pelo celular, cada vez mais comuns, acabaram criando um problema para a relação entre médicos e pacientes. De acordo com uma pesquisa feita pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), 86% das informações trocadas fora do consultório, por telefone, se perdem. Jamais são adicionadas às fichas dos pacientes.
Diante dessa falta de hábito, um pesquisador da Unifesp criou um software específico para o celular dos médicos. Assim que o telefone toca, o programa reconhece o número e abre o prontuário do paciente na tela do celular. Primeiro problema resolvido: o médico não ouve um longo relato para saber exatamente com quem está falando.
Depois de dar a orientação – trocar um remédio ou fazer um exame –, o médico usa o mesmo programa para incorporar a nova informação ao prontuário. Segundo – e principal – problema resolvido: nenhum dado sobre a saúde do paciente se perde.
O software foi criado para os smartphones, aparelhos que funcionam ao mesmo tempo como celular e computador de mão (handheld). O trabalho do médico é mínimo. Não exige nada mais que toques na tela do telefone. Após dar uma olhada no prontuário e ouvir as novas queixas, o médico seleciona a opção "diagnósticos" e digita a primeira letra. Uma longa lista de doenças se abre no celular em ordem alfabética. Basta selecioná-la. A mesma coisa é feita nas opções "exames" e "medicamentos".
Quando chega ao consultório, ele conecta o smartphone ao computador. Todos os dados que foram adicionados a um aparelho são automaticamente transferidos para o outro.
"Esse programa pode revolucionar o atendimento fora do consultório", diz o matemático Paulo Salomão, que desenvolveu o software para sua tese de doutorado na Unifesp.
Atualmente, explica ele, a utilidade dos computadores de mão para a medicina se reduz aos guias médicos (livros eletrônicos) e às calculadoras (que determinam, por exemplo, a dose de certos medicamentos).
Antes de criar o programa, Salomão fez um levantamento entre 40 médicos – alguns recebem até dez telefonemas de pacientes por dia. A conclusão foi que uma parte mínima das informações, não mais que 14%, era agregada ao prontuário.
"Se o paciente me liga cedo, não dá para lembrar os detalhes à tarde, quando chego ao consultório", admite o clínico geral Daniel Sigulem, que orientou a criação do programa.
Ele dá um exemplo de como as informações do paciente, mesmo fora do consultório, são importantes: "Imagine se ele liga dizendo que teve uma reação alérgica a certo medicamento. Se não puser no prontuário, posso voltar a receitar o mesmo remédio. Seria um perigo."

O software será particularmente útil para médicos que atendem na casa do doente. Poderão dispensar o bloco de anotações e o computador portátil.
O programa, que deve chegar ao mercado ainda neste ano, já está dando origem a outros projetos na Unifesp. Num deles, a idéia é que o telefone atualize o prontuário sob o comando da voz do médico. Em outro, que o celular, sozinho, envie um torpedo (mensagem de texto) avisando ao paciente que falta um dia para a consulta.


Fonte: OESP – Vida &



 

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