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Medico on-line de rotina
 

 

 

Nos EUA, médicos começam a ser pagos por consulta online

Planos de saúde já remuneram atendimento a pacientes via e-mail; governo estuda adotar a prática.

Milt Freudenheim
The New York Times
O Estado de Sao Paulo - 28/03/2005

Os médicos norte-americanos quase já não atendem em domicílio, mas, cada vez mais, respondem a mensagens de e-mail de seus pacientes. E começam a ser remunerados por isso.
Numa iniciativa para aumentar a eficiência e controlar custos, planos de saúde e grupos médicos nos EUA decidiram pagar os profissionais para responder a consultas por e-mail, assim como eles são remunerados pelas visitas ao consultório. Embora alguns médicos mais 'tecnológicos' já utilizem há anos o correio eletrônico para se comunicar informalmente com seus pacientes, eles não eram pagos por esse serviço.
Médicos e seguradoras dizem que consultas online podem ser úteis para pacientes com doenças crônicas, como diabetes, asma e problemas cardíacos. Eles são usuários freqüentes, e o contato próximo e constante com o médico pode ajudá-los a seguir eficientemente o tratamento prescrito.
Brian Settlemoir, um contador de 39 anos de Folsom, Califórnia, enviou recentemente uma mensagem eletrônica a seu médico no Creekside Medical Group para perguntar se já era hora de reduzir a dosagem de um medicamento depois que seu nível de colesterol havia baixado. A resposta, imediata, foi 'ainda não'. 'É muito mais fácil trocar mensagens eletrônicas do que telefonar e ficar esperando para falar com o médico', disse. A Blue Shield paga ao médico US$ 25 para cada troca de e-mails, o mesmo que por uma visita ao consultório.

Algumas seguradoras pagam um pouco menos pelas consultas por e-mail.
Para os médicos, a comunicação online serve para aconselhar sobre cuidados pós-operatórios, dietas, mudanças de medicamento e outros assuntos que podem ser resolvidos segura e rapidamente sem uma consulta ou uma cansativa rodada de telefonemas. Pesquisas mostram que os médicos, reduzindo o número diário de consultas, têm mais tempo para dedicar a pacientes que realmente precisam ser vistos pessoalmente.

Para os pacientes, o e-mail permite que dúvidas sejam enviadas de casa à noite, sem que se perca tempo de trabalho telefonando ou aguardando para ser atendido pelo médico. Muitos sustentam que a comunicação online, mais dinâmica e informal, os faz sentir mais próximos de seus médicos.
A comunicação online pacientemédico também estimula a adoção de sistemas de informação eletrônicos de saúde, que, segundo funcionários do governo e lideranças do setor, é necessária para reduzir os erros médicos e promover serviços melhores.
Estudos em clínicas da Universidade da Califórnia concluíram que o uso do e-mail aumentou a produtividade dos médicos, diminuiu os custos gerais e melhorou o acesso dos pacientes aos profissionais, com redução significativa do número de telefonemas.


Um benefício da troca de mensagens online é dar aos pacientes um maior grau de controle. 'A inteligência de nossos pacientes nunca pára de me impressionar', disse Barbara Walters, diretora-médica do Dartmouth-Hitchcock Medical Center, de New Hampshire. 'Se tiverem a oportunidade, eles descrevem com precisão o que está acontecendo com eles.' Os médicos que atendem por e-mail são aconselhados a limitar suas respostas a algumas áreas consideradas adequadas e só respondem a consultas de pacientes que já tenham sido examinados antes.
Os sistemas Medicare e Medicaid (responsáveis pelos programas de saúde governamentais) patrocinam um estudo de gerenciamento de doenças , incluindo pagamentos por consultas online, para ajudar o governo norte-americano a decidir se começará a remunerar médicos por esse tipo de serviço.
David J.
Brailer, o coordenador do governo para tecnologia de informação de saúde , disse que a comunicação online entre pacientes e médicos é 'uma das 12 estratégias para atingir o objetivo do presidente George W. Bush de disseminar a tecnologia na saúde'.


Um projeto de lei apresentado no Congresso dos EUA incluiu pela primeira vez uma provisão para autorizar o Medicare a fazer 'pagamentos de bônus' aos médicos por consultas via e-mail. 'Todas as pesquisas recentes mostram que os pacientes querem se comunicar por e-mail ou mensagens online', disse Thomas Handler, diretor de pesquisa da firma de consultoria em tecnologia Gartner Group. 'O problema era que os médicos não eram remunerados, mas isso está mudando rapidamente.'?

 

 
No Brasil, só dúvida simples é respondida
Cibele Gandolpho

Para os médicos brasileiros, a consulta por e-mail é proibida éticamente falando, mas, como forma de orientação, é bem aceita pelos pacientes e facilita o trabalho dos médicos. Em vez de ligar para o doutor, muitos tiram dúvidas básicas via internet e nunca pagam nada pelas orientações.
De acordo com o médico Marivan Santiago Abrahão, diretor de Sistemas de Informação da Sociedade Brasileira de Informática em Saúde (SBIS), os médicos costumam dar orientações a pessoas que já são seus pacientes, nunca a desconhecidos. 'É possível trocar um remédio ou dizer se tal sintoma é normal, mas não há como fazer uma consulta por e-mail', diz. Segundo ele, é comum pacientes telefonarem, mas não conseguirem ser atendidos na mesma hora. Em certos casos, o e-mail pode facilitar. 'Em vez de ficar esperando um retorno do telefonema, ele prefere enviar um e-mail, que pode ser respondido mais rapidamente', conta.


O ginecologista e obstetra Felipe Lazar Jr. também responde diariamente a e-mails de suas pacientes. 'Muitas delas, principalmente as grávidas, têm sintomas comuns da gravidez, ficam preocupadas e me ligam o tempo todo. Como é difícil atender a todas as ligações do dia e até retorná-las, prefiro responder aos e-mails porque pode ser mais rápido', conta.
Mas, quando o caso é mais complicado, o dr. Lazar sempre pede que elas compareçam ao consultório. 'Por e-mail, só é possível orientá-las, nunca consultá-las. Não dá para ser negligente nesse assunto.', ressalta.
O dr. Marivan esclarece que o maior cuidade tem de ser do médico para não ter problemas futuros. 'É fundamental que o profissional registre a orientação via e-mail no prontuário do paciente, para que, em uma nova consulta ao vivo, ela seja devidamente lembrada', diz.

 

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